O pé de açaí é uma das palmeiras mais importantes da Amazônia, responsável por movimentar uma cadeia produtiva que vai do extrativismo à exportação. Neste artigo, você vai conhecer as características dessa planta nativa e aprender dicas essenciais para cultivá-la.
Características do pé de açaí (Euterpe oleracea)
O pé de açaí pertence à espécie Euterpe oleracea, uma palmeira nativa da Amazônia Oriental, encontrada naturalmente nos estados do Pará, Amapá, Tocantins e Maranhão. Sua classificação botânica integra a família Arecaceae, a mesma do dendê e do buriti.
Uma das características mais marcantes do pé de açaí é sua capacidade de perfilhar. A planta forma touceiras com múltiplos estipes, ou seja, vários caules lenhosos que emergem de um mesmo sistema radicular. Essa particularidade a diferencia do açaí-solteiro (Euterpe precatoria), que possui caule único e predomina na Amazônia Ocidental.
Em condições naturais de várzea, o pé de açaí pode atingir de 20 a 25 metros de altura, com estipes medindo entre 7 e 18 centímetros de diâmetro. O tronco é roliço, longo e geralmente sem ramificações, apresentando anelamento visível e coloração cinza-clara, sem espinhos.
As folhas do pé de açaí são pinadas, compostas por folíolos dispostos ao longo de uma haste central chamada raque. Em plantas adultas, podem alcançar até 2 metros de comprimento, com folíolos planos, estreitos e pendentes que formam uma copa densa e ornamental. Na fase juvenil, as mudas apresentam pinas adéculas em dois grupos, com aspecto de folha bipinada.
Os frutos do pé de açaí são drupas globosas, medindo entre 1 e 2 centímetros de diâmetro, com peso médio de 1,5 grama. Verdes quando imaturos, tornam-se roxo-escuros a negros quando maduros, embora existam variedades de frutos verdes, conhecidas como açaí-branco. Cada cacho pesa em média 2,5 quilos, e uma touceira pode produzir de 6 a 8 cachos, totalizando 15 a 20 quilos de frutos por planta.
O sistema radicular do pé de açaí é superficial e fasciculado, com raízes adventícias que formam um anel espesso de cor purpúrea com até 1,5 centímetro de diâmetro na base do estipe. Essas raízes aéreas são adaptadas aos ambientes alagados das várzeas amazônicas, desenvolvendo lenticelas e aerênquimas que permitem sobreviver em solos com baixa oxigenação por períodos superiores a 15 dias.

Dicas e cultivo
A produção de mudas de pé de açaí é feita a partir da semeadura da semente, que tem alto índice de germinação. No entanto, durante a germinação é necessário controle rigoroso de pragas e doenças, por isso a recomendação é adquirir mudas já prontas de viveiros credenciados. Mudas adequadas devem estar sadias, com altura entre 40 e 50 centímetros, diâmetro de colo superior a 2 centímetros e idade em torno de 8 a 10 meses.
- O preparo da área para plantar o pé de açaí exige análise de solo para correção de acidez, elevando a saturação de base a 60%, e ajuste de nutrientes, especialmente boro. Devem ser feitas covas de 40 x 40 x 40 centímetros. Na terra retirada da parte superior da cova, mistura-se a adubação de plantio, que em geral inclui termofosfatos ricos em fósforo e micronutrientes, além de adubo orgânico como 10 quilos de cama de frango ou 200 gramas de superfosfato triplo.
- O plantio do pé de açaí deve ser feito no período chuvoso, com cuidado para não danificar as raízes. Recomenda-se plantar duas mudas por cova, com idades entre 8 e 10 meses, posicionadas nas extremidades da cova. O espaçamento para açaí de terra firme pode ser de 5 x 5 metros ou 6 x 4 metros, resultando em 400 ou 417 mudas por hectare. Como a planta perfilha, as touceiras devem ser manejadas para manter 3 a 4 estipes bem distribuídos, eliminando brotações excedentes.
- Para o cultivo do pé de açaí em terra firme, fora das áreas de várzea, a irrigação é obrigatória. A estimativa é que cada touceira com três estipes consuma 120 litros de água por dia após o terceiro ano de plantio. Na fase inicial, pode-se usar gotejamento para reduzir custos, migrando posteriormente para microaspersores.
- A adubação de cobertura do pé de açaí é feita após o primeiro, segundo e terceiro ano, parcelada em três vezes durante o período chuvoso. A aplicação deve ser feita em faixa circular distanciada da base da planta 50 centímetros no primeiro ano, 100 centímetros no segundo e 150 centímetros no terceiro. Em áreas de várzea com solo naturalmente rico, a adubação pode ser desnecessária.

A Embrapa desenvolveu cultivares de pé de açaí para terra firme que revolucionaram o cultivo. A BRS Pará foi a primeira cultivar brasileira, com produção precoce a partir do terceiro ano, porte baixo e produtividade de 10 toneladas por hectare a partir do oitavo ano. A BRS Pai d’égua é mais recente, também com produção a partir do terceiro ano, produtividade de 12,5 toneladas por hectare e rendimento de polpa de 40%, além de produzir 44 a 46% dos frutos na entressafra. Ambas podem ser plantadas no Cerrado e outras regiões fora da Amazônia, desde que irrigadas.
A primeira colheita do pé de açaí ocorre entre o terceiro e quarto ano de plantio, dependendo das condições edafoclimáticas e da cultivar. O pico de safra na região amazônica acontece entre fevereiro e junho. A colheita exige que o operador suba na árvore com auxílio de cinturão ou peconha, ou utilize o Método da Garra, mais seguro, com garras de ferro, cinto de segurança, corda e descensor. Após a retirada, coloca-se um plástico embaixo da palmeira para evitar contato dos cachos com o solo, e em seguida debulham-se os frutos.
Recomenda-se roçar periodicamente o cultivo do pé de açaí para acelerar o desenvolvimento, poupando essências nativas de interesse. Não se deve capinar, devido ao sistema radicular superficial. A proteção com cobertura morta é recomendada para manter a umidade do solo. O açaizeiro é uma cultura perene que, com manejo adequado, pode produzir por décadas.








