Cravo – tudo sobre a flor (Dianthus caryophyllus)

O Cravo é uma flor que perfuma os jardins da infância e enfeita altares, lapelas e buquês, com suas pétalas franzidas que parecem papel de seda e aquele perfume inconfundível, ele é o clássico dos canteiros que nunca sai de moda. Eu o chamo de “o vovô das flores” porque, mesmo com tanta variedade moderna no mercado, ele mantém seu lugar com a força de quem já encantou bisavós e ainda encanta crianças. Neste artigo eu mostro como cultivar esse ícone da jardinagem e trazer de volta suas cores e aromas para o jardim!

Características do Cravo (Dianthus caryophyllus)

O Cravo, também conhecido como Craveiro, Cravo-do-Poeta ou Cravina-de-jardim, é uma planta herbácea pertencente à família Caryophyllaceae, originária da região mediterrânica da Europa. Trata-se de uma das plantas ornamentais mais antigas em cultivo, sendo considerada uma flor clássica que carrega séculos de história e simbolismo. Quanto ao porte, o cravo apresenta variações significativas entre as diferentes cultivares e variedades. Os cravos perpétuos atingem de 60 a 90 cm de altura, enquanto os populares Cravos Chabaud desenvolvem-se entre 45 e 70 cm. Já os Cravos-do-Poeta são mais compactos, alcançando 20 a 45 cm . Em condições ideais, a planta pode chegar até um metro de altura, apresentando caule ereto, herbáceo, ramificado, de coloração verde a verde-azulado, com nós salientes e hastes firmes.

Cravo Flor
Darkone

As folhas do cravo são características marcantes da espécie, são persistentes, sésseis, de inserção oposta e formato linear, alongadas e estreitas, com ápice obtuso. Apresentam uma distinta coloração verde-azulada ou glauca que confere ornamentalidade mesmo fora do período de floração. Esta tonalidade azulada é um traço distintivo da espécie. As folhas basais podem medir de 6 a 15 cm de comprimento, enquanto as superiores são progressivamente menores .

As flores constituem o grande espetáculo da planta. Podem ser solitárias, paniculadas ou dispostas no topo dos caules, com cálice tubular formado por 5 sépalas. As pétalas são múltiplas, dobradas e com bordas caracteristicamente recortadas ou denteadas, conferindo aquele aspecto franzido tão apreciado. O diâmetro das flores varia conforme a variedade os cravos comuns apresentam flores de 25 a 30 mm de comprimento, enquanto as variedades gigantes, como o Cravo Chabaud Gigante Dobrado, podem atingir até 8 cm de diâmetro. A paleta de cores é vastíssima a coloração original da espécie é um púrpura rosado, mas o melhoramento genético produziu variedades nas cores branco, rosa, vermelho, amarelo, além de inúmeras tonalidades intermediárias, mesclas e degradês. Muitas variedades exalam um aroma delicado e característico, razão pela qual são utilizadas na indústria de perfumaria.

Cravo (Dianthus caryophyllus)
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Os frutos são cápsulas secas e deiscentes, de pequenas dimensões e coloração verde quando imaturos, tornando-se acastanhados na maturidade. Contêm numerosas sementes minúsculas, de coloração escura, que são dispersas quando a cápsula se abre. A planta apresenta ciclo de vida variável é tecnicamente uma perene de curta duração, frequentemente cultivada como anual ou bienal, dependendo das condições climáticas e do manejo. Sua raiz é pivotante e seu crescimento é considerado rápido nas condições adequadas. Além do valor ornamental, o cravo possui aplicações cosméticas e alimentares, sendo suas pétalas utilizadas na culinária e na fabricação de perfumes, embora seja tóxico para cães e gatos.

Cravo (Dianthus caryophyllus)
David J. Stang

Como usar no paisagismo?

O cravo é uma planta que adequa-se a diferentes estilos de jardim e escalas de projeto, em canteiros e bordaduras, sua aplicação mais clássica, forma massas de cor compactas e floríferas que criam efeitos visuais impactantes. As variedades de porte baixo a médio, como os Cravos-do-Poeta e as Cravinas, são ideais para delimitar caminhos, contornar gramados ou preencher a base de arbustos maiores. O plantio em grupos homogêneos ou em esquemas monocromáticos valoriza sua paleta de cores vibrantes, enquanto composições com tonalidades mescladas produzem um efeito mais alegre e descontraído. Para jardins formais, recomendam-se os canteiros simétricos com variedades de porte ereto e cores sóbrias, como branco, rosa-claro e vermelho-clássico.

Forest & Kim Starr

Em jardins de estilo campestre ou cottage, o cravo integra-se harmoniosamente com alfazema, sálvia, margaridas e alecrim, criando composições que evocam o charme rústico e a informalidade dos jardins de antigamente. Nestes projetos, as variedades mais perfumadas são especialmente valorizadas, posicionadas próximas a áreas de estar, bancos ou circulação de pedestres, onde seu aroma pode ser plenamente apreciado. A combinação com gramíneas ornamentais e plantas de folhagem prateada realça a textura e a cor de suas flores, produzindo contrastes elegantes e contemporâneos.

Para jardineiras, vasos e floreiras, as variedades anãs e compactas são as mais indicadas, compõem belos arranjos isolados ou em associações com plantas anuais de estação, como amor-perfeito, boca-de-leão e tagetes. Em varandas e sacadas ensolaradas, garantem floração contínua e colorida por longos períodos, especialmente quando manejadas com remoção regular das flores murchas. Em jardins verticais e paredes verdes, as variedades de menor porte podem ser utilizadas em módulos inferiores, onde seu crescimento denso e floração abundante criam manchas de cor de grande apelo visual.

阿橋花譜 HQ Flower Guide

No paisagismo público e comercial, o cravo é empregado em canteiros sazonais, praças e rotatórias, onde seu ciclo relativamente curto é compensado pela intensidade e duração da floração. Em projetos de jardins sensoriais, sua textura aveludada e perfume característico fazem dele um elemento indispensável. Em jardins de corte, cultivam-se fileiras dedicadas às variedades de haste longa, garantindo suprimento contínuo para arranjos florais e decoração de interiores. Para um efeito paisagístico otimizado, recomenda-se o plantio em blocos de cor com mínimo de 10 a 15 mudas, respeitando o espaçamento adequado para que as plantas expressem todo seu potencial ornamental.

David J. Stang

Como cultivar?

O cultivo bem-sucedido do cravo começa com a escolha do local e preparo do solo, esta planta é extremamente exigente em luminosidade, necessitando de sol pleno por pelo menos 6 horas diárias para desenvolver hastes firmes e flores de qualidade. Em locais com sombra excessiva, a planta estiolará e a floração será drasticamente reduzida. O solo deve ser profundo, fértil e com drenagem exemplar, pois o cravo é muito sensível ao encharcamento. Solos argilosos e compactados devem ser corrigidos com areia grossa, composto orgânico e casca de arroz carbonizada. O pH ideal situa-se entre 6,5 e 7,5, ligeiramente alcalino. Em solos ácidos, recomenda-se a incorporação de calcário dolomítico com antecedência.

  1. Propagação e Plantio: A propagação do cravo pode ser feita por sementes ou estacas, para cultivo a partir de sementes, semeie em bandejas ou copinhos individuais preenchidos com substrato leve e bem drenado, cobrindo as sementes com uma fina camada de peneirado. A germinação ocorre em 7 a 14 dias em temperaturas entre 20 e 25°C. Após atingirem 5 a 8 cm, as mudas podem ser transplantadas para o local definitivo. O espaçamento deve ser de 25 a 35 cm entre plantas para variedades de porte normal, garantindo boa circulação de ar e prevenindo doenças fúngicas. A propagação por estaquia é utilizada para multiplicar variedades selecionadas retire estacas terminais de 8 a 12 cm, remova as folhas inferiores, trate com hormônio enraizador e mantenha em câmara úmida por 20 a 30 dias.
  2. Irrigação e Adubação: A irrigação deve ser criteriosa: mantenha o solo uniformemente úmido, mas nunca encharcado, regue preferencialmente pela manhã, evitando molhar a folhagem e as flores para prevenir oídio e ferrugem. Em canteiros, o sistema de irrigação por gotejamento é o mais recomendado. Durante o verão, regas diárias podem ser necessárias no inverno, reduza para 2 a 3 vezes por semana. Quanto à adubação, o cravo é exigente em nutrientes. Incorpore ao solo de plantio esterco bem curtido ou húmus de minhoca e farinha de ossos. Durante o crescimento, aplique fertilizante líquido balanceado (NPK 10-10-10) a cada 15 dias. Ao surgirem os botões florais, troque para uma formulação rica em fósforo e potássio (NPK 4-14-8) para estimular floração abundante e hastes vigorosas.
  3. Poda e Manejo: A poda de formação é essencial para obter plantas compactas e bem ramificadas, quando as mudas jovens atingirem 15 cm, realize a desponta (pinçamento) do ápice, removendo a gema terminal. Isso estimulará a emissão de brotações laterais. Para variedades de corte comercial, recomenda-se a remoção de botões laterais, deixando apenas o botão central, o que produz flores maiores e hastes mais longas. Remova regularmente flores murchas e folhas amareladas para manter a planta vigorosa e estimular novas florações. Após o término da floração principal, pode-se realizar uma poda drástica a cerca de 10 cm do solo, renovando a planta para um novo ciclo.
  4. Problemas Comuns e Soluções: Os cravos são suscetíveis a algumas doenças fúngicas, especialmente em condições de alta umidade e baixa circulação de ar. O oídio manifesta-se como pó branco nas folhas controle com calda de bicarbonato ou enxofre e melhore a ventilação. A ferrugem causa pústulas alaranjadas, remova folhas afetadas e aplique fungicida adequado. O murchamento e amarelecimento podem indicar podridão radicular por excesso de água nesse caso, suspenda regas e melhore a drenagem. Entre as pragas, os pulgões e ácaros são comuns; controle com óleo de neem ou sabão inseticida. Cuidado especial com lesmas e caracóis, que atacam brotos tenros durante a noite.
  5. Cultivo em Vasos: Para cultivo em vasos, escolha recipientes com mínimo 20 cm de profundidade e excelente drenagem. Utilize substrato composto por 30% de terra vegetal, 30% de composto orgânico, 30% de areia grossa e 10% de carvão triturado. Posicione os vasos em locais com sol pleno e proteção contra ventos fortes. As variedades anãs e compactas, como os Cravos-do-Poeta e Cravinas, são as mais indicadas para vasos, desenvolvendo-se em touceiras densas e floríferas. A adubação em vasos deve ser mais frequente, pois o substrato esgota-se rapidamente. Com estes cuidados, o cravo recompensará o cultivador com sua beleza clássica e perfume inconfundível por muitas estações.

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