A Erva baleeira uma curandeira silvestre da nossa restinga que carrega no nome a história de aliviar dores e inflamações como uma bênção da mata atlântica! Essa erva serve desde um simples chá para dores musculares até um óleo feito em casa para artrites e contusões, ela está sempre pronta para agir. É uma planta rústica e generosa, que cresce até em solos pobres e arenosos, atraindo abelhas e borboletas com suas flores brancas miudinhas.
Características da Erva baleeira (Cordia verbenacea)
A Erva baleeira (Cordia verbenacea), também conhecida como Catinga-de-bode, Maria-preta, Erva-da-praia ou Salicina, é um arbusto perene da família Boraginaceae, nativo da Mata Atlântica e restingas brasileiras. Apresenta porte médio e arredondado, variando de 1,5 a 3 metros de altura, com ramos longos e flexíveis que podem tornar-se semipendentes. Seu caule é semi-lenhoso, de cor acinzentada e com textura rugosa nas plantas adultas.
As folhas são simples, alternadas e rugosas, com formato oval a lanceolado e margens serrilhadas, medindo 5 a 12 cm de comprimento. Possuem coloração verde-escura na face superior e mais clara e pubescente na inferior, exalando um aroma forte e característico quando esmagadas. As flores são pequenas, brancas e tubulares, agrupadas em inflorescências terminais do tipo cimeira, que atraem intensamente abelhas, borboletas e outros polinizadores durante a floração, que ocorre praticamente o ano todo, com pico na primavera-verão.
Os frutos são pequenas drupas globosas de cor verde que torna-se vermelho-alaranjada quando maduros, contendo uma a duas sementes cada. São apreciados por aves, que contribuem para a dispersão da espécie. Todas as partes da planta, especialmente as folhas e ramos jovens, contêm óleos essenciais e princípios ativos como o alfabisabolol e o artemetino com comprovadas propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e cicatrizantes. A espécie é extremamente rústica, adaptando-se a solos arenosos, pobres e salinos, com alta tolerância à seca e a ventos fortes, sendo uma pioneira em áreas degradadas.
Para que serve a erva baleeira?
A Erva baleeira (Cordia verbenacea) é uma planta medicinal de relevância reconhecida, inclusive pela ANVISA, com aplicações terapêuticas embasadas tanto no conhecimento tradicional quanto em pesquisas científicas. Sua principal indicação é no controle de processos inflamatórios e no alívio da dor. Os extratos de suas folhas e óleos essenciais contêm substâncias como o alfabisabolol e flavonoides que inibem a produção de prostaglandinas e outras moléculas inflamatórias, sendo eficazes no tratamento de artrites, tendinites, contusões musculares e dores reumáticas. Essa ação a consagrou como matéria-prima para medicamentos fitoterápicos industrializados na forma de géis e cremes tópicos.
Além do uso musculoesquelético, a planta possui propriedades cicatrizantes e antimicrobianas, o chá ou o extrato hidroalcoólico aplicado topicamente auxilia na cura de feridas, úlceras dérmicas e queimaduras leves, estimulando a regeneração tecidual e prevenindo infecções. Como infusão oral, é tradicionalmente utilizada como antiulcerogênico e digestivo, ajudando em casos de gastrite e distúrbios gastrointestinais leves. Seu efeito expectorante e broncodilatador também a torna útil em síndromes gripais e bronquites.
No âmbito da saúde integrativa e preventiva, a Erva baleeira é valorizada por sua ação antioxidante, combatendo radicais livres e o envelhecimento celular. No paisagismo, sua rusticidade e floração atrativa para polinizadores a tornam uma espécie útil para jardins de baixa manutenção, recuperação de áreas degradadas e projetos de jardins terapêuticos. É fundamental destacar que, apesar de seus benefícios, o uso interno deve ser moderado e orientado, pois altas doses podem causar irritação gástrica. Quando utilizada com conhecimento, esta espécie nativa se revela um recursos terapêutico valioso, acessível e sustentável.

Como cultivar?
O cultivo da Erva baleeira inicia-se com a escolha do local, preferencialmente em áreas de sol pleno, onde a planta desenvolverá seu aroma e princípios ativos de forma mais intensa. A espécie é extremamente adaptável a diferentes tipos de solo, crescendo bem até em solos pobres, arenosos e com baixa fertilidade, típicos de restingas. No entanto, para um desenvolvimento vigoroso, o ideal é um solo bem drenado e com boa capacidade de retenção de umidade, enriquecido com matéria orgânica. Em solos muito argilosos, recomenda-se a incorporação de areia grossa e composto orgânico para melhorar a estrutura.
A propagação pode ser realizada por sementes ou por estacas semilenhosas. As sementes devem ser colhidas de frutos maduros e podem ser semeadas diretamente em canteiros ou recipientes individuais, sem necessidade de tratamento especial, com emergência ocorrendo em 15 a 30 dias. Para propagação vegetativa, estacas com 15 a 20 cm, retiradas de ramos saudáveis, enraízam com facilidade em substrato arenoso e úmido. O plantio definitivo deve considerar um espaçamento mínimo de 1 metro entre plantas, permitindo que o arbusto se expanda plenamente.
Os cuidados com a irrigação são críticos apenas na fase de estabelecimento (primeiros 60 dias), quando se deve manter o solo consistentemente úmido, mas não encharcado. Uma vez bem enraizada, a Erva baleeira revela sua notável tolerância à seca, necessitando de regas apenas em períodos de estiagem prolongada. A adubação pode ser mínima; uma aplicação anual de composto orgânico ou esterco bem curtido ao redor da base da planta, no início da primavera, é suficiente para mantê-la saudável e produtiva. Evite fertilizantes químicos em excesso, pois podem reduzir a concentração de óleos essenciais.
A poda de formação e manutenção é recomendada para estimular o adensamento da copa e a produção de folhas jovens, onde os princípios ativos são mais concentrados. Realize podas leves após a floração, removendo ramos secos ou malformados. Para uso medicinal, a colheita das folhas e ramos jovens deve ser feita antes da floração plena, preferencialmente nas horas mais frescas do dia, e a secagem em local arejado, sombreado e protegido da umidade. Com esses cuidados simples, a Erva-baleeira se tornará uma fonte duradoura de matéria-prima medicinal e um elemento resiliente no jardim.
Chá de baleeira
Veja abaixo o passo a passo de como fazer o chá de baleeira.
1. Coleta e preparo da matéria-prima
Utilize folhas secas de Erva baleeira, pois a secagem concentra seus princípios ativos e reduz a amargura. Para secagem caseira, colha ramos saudáveis, lave rapidamente e pendure em feixes em local arejado, sombreado e seco por 7 a 10 dias. Armazene as folhas inteiras em vidro escuro.
2. Proporções e método de infusão
Para cada 200 ml de água (1 xícara), utilize 1 colher de sopa (cerca de 3g) de folhas secas. Aqueça a água até o ponto anterior à fervura (cerca de 90°C) e despeje sobre as folhas em um recipiente não metálico (porcelana, vidro ou cerâmica). Tampe e deixe em infusão por 5 a 10 minutos.
3. Coagem e consumo
Coe o chá com uma peneira fina ou filtro de papel para reter os fragmentos vegetais. Beba morno, sem adoçar, para melhor aproveitamento das propriedades. O sabor é amargo e herbáceo, característico da planta.
4. Dosagem e precauções
- Uso interno: Até 2 xícaras ao dia, preferencialmente entre as refeições.
- Uso externo: Pode ser aplicado frio em compressas para feridas ou inflamações na pele.
- Contraindicações: Evitar na gravidez, lactação e em crianças menores de 12 anos.
- Interações: Pode potencializar efeitos de anti-inflamatórios e anticoagulantes.
5. Armazenamento
O chá preparado deve ser consumido em até 12 horas. Para uso contínuo, prepare sempre fresco. As folhas secas armazenadas corretamente mantêm suas propriedades por até 1 ano.
Atenção: Este chá é um coadjuvante terapêutico e não substitui orientação médica. Em caso de efeitos adversos (náuseas, irritação gástrica), suspenda o uso.
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